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Regulação · Ministério da Saúde

Brasil publica matriz de risco para IA em pesquisas com seres humanos

O guia da Inaep e a MARIAH orientam pesquisadores e comitês de ética, mas não criam uma aprovação automática nem uma nova norma vinculante.

Quatro integrantes de um comitê examinam uma matriz de papel com dados, vieses, proteção, incidentes e pessoas no centro da avaliação; um pequeno sistema de IA permanece na borda da mesa.
Ilustração conceitual da MARIAH. A matriz organiza riscos e salvaguardas; a avaliação ética continua humana e colegiada.

A Instância Nacional de Ética em Pesquisa publicou em 25 de setembro um guia, um caderno referencial e a MARIAH, matriz para identificar e classificar riscos de IA em pesquisas com seres humanos. Os documentos são orientativos e entram em aplicação inicial por seis meses; os Comitês de Ética em Pesquisa preservam autonomia e responsabilidade pela decisão.

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O que aconteceu

A Instância Nacional de Ética em Pesquisa, vinculada ao Ministério da Saúde, publicou em 25 de setembro três peças para pesquisas com seres humanos que usam inteligência artificial: um guia de uso ético, um caderno referencial e a Matriz de Avaliação de Risco em Inteligência Artificial em Pesquisa com Seres Humanos, chamada MARIAH.

O colegiado aprovou o conjunto por unanimidade em 16 de setembro. O voto e a deliberação classificam os materiais como orientação institucional de versão 1.0, com função pedagógica e de apoio. Eles não são uma resolução que acrescenta obrigações vinculantes aos Comitês de Ética em Pesquisa.

O que mudou

A MARIAH oferece um percurso para caracterizar o papel da IA, identificar riscos e lacunas, classificar a gravidade e registrar salvaguardas. O conjunto cobre ciclo de vida, governança de dados, consentimento, representatividade, viés, discriminação, transparência, supervisão humana, incidentes e responsabilização.

A aplicação inicial dura seis meses e deve informar uma versão 2.0. O Ministério também anunciou consulta à sociedade no mesmo período, por formulário eletrônico. Em 1º de outubro, a página ainda indicava divulgação futura; portanto, consulta aprovada não significa consulta já aberta.

Por que importa

Projetos de IA podem afetar participantes antes, durante e depois da coleta: na seleção, no tratamento de dados, na inferência de atributos, no apoio à decisão e no reúso do sistema. Uma matriz comum ajuda pesquisador e comitê a expor essas escolhas e justificar proteção proporcional ao risco.

A MARIAH não aprova nem reprova pesquisa, não substitui discussão colegiada e não torna um sistema seguro por ter sido preenchida. Essa distinção protege o instrumento de virar checklist decorativo ou selo de conformidade.

Para quem importa

Pesquisadores, instituições, patrocinadores, desenvolvedores de sistemas, responsáveis por dados, Comitês de Ética em Pesquisa e participantes. O escopo inclui saúde e também Ciências Humanas e Sociais quando há pesquisa com seres humanos e uso de IA.

Empresas que colaboram com universidades ou hospitais também devem observar o guia. Fornecer um modelo, base ou serviço não transfere a responsabilidade do protocolo nem elimina a necessidade de explicar dados, limitações, monitoramento e resposta a incidentes.

Impacto prático

Antes da submissão, descreva finalidade, grau de autonomia, população afetada, dados de treino e pesquisa, transferências, validação, erro esperado, vieses conhecidos, supervisão e procedimento de incidente. Associe cada risco a uma salvaguarda verificável e a uma pessoa responsável.

Não use certificação estrangeira, benchmark do fornecedor ou aprovação em outro país como substituto da avaliação ética local. O guia recomenda verificar se referências e controles externos foram adaptados à população, às normas brasileiras e ao contexto do estudo.

O que testar

Aplique a matriz a um protocolo real antes de submetê-lo. Peça que pesquisador, profissional de dados e representante da área ética preencham separadamente e depois comparem divergências sobre gravidade, probabilidade, grupos afetados e salvaguardas.

Faça um exercício de falha: resultado incorreto, vazamento, discriminação ou uso secundário não previsto. Verifique quem detecta, interrompe, comunica, corrige e reavalia consentimento. Registre incerteza em vez de convertê-la artificialmente em baixo risco.

O que observar

Acompanhe a abertura efetiva da consulta, perguntas recorrentes, resultados dos seis meses de aplicação e a futura proposta de versão 2.0. Mudanças podem afetar linguagem, faixas de risco e exemplos de salvaguardas.

Observe também como diferentes CEPs usarão a matriz sem perder autonomia. Consistência é desejável, mas a decisão precisa continuar sensível ao protocolo, à população, ao território e à consequência de uma falha.

O que ainda não sabemos

Ainda não há avaliação pública da concordância entre avaliadores, do tempo de preenchimento ou da capacidade da matriz de identificar riscos omitidos. O período inicial foi criado justamente para observar compreensão, objetividade e utilidade das salvaguardas.

Também não se sabe quais contribuições da sociedade serão incorporadas nem quando a versão 2.0 será publicada. Até lá, o conjunto deve ser citado como orientação institucional, não como lei, resolução vinculante ou decisão automatizada.

Fontes

  1. Inaep aprova guia para orientar uso de inteligência artificial em estudos científicosMinistério da Saúde · Órgão regulador · publicada em 25 de setembro de 2026 · conferida em 1 de outubro de 2026
  2. Guia de Uso Ético de Inteligência Artificial em Pesquisa com Seres HumanosInstância Nacional de Ética em Pesquisa · Órgão regulador · publicada em 25 de setembro de 2026 · conferida em 1 de outubro de 2026
  3. Guia de uso da Matriz de Avaliação de Risco em Inteligência Artificial em Pesquisa com Seres HumanosInstância Nacional de Ética em Pesquisa · Órgão regulador · publicada em 25 de setembro de 2026 · conferida em 1 de outubro de 2026
  4. Voto nº 25/2026 INAEP DECIT SCTIE MSInstância Nacional de Ética em Pesquisa · Órgão regulador · publicada em 17 de setembro de 2026 · conferida em 1 de outubro de 2026
  5. Inaep aprova guia para orientar uso de inteligência artificial em estudos científicosAcademia de Ciências Farmacêuticas do Brasil · Veículo especializado · publicada em 28 de setembro de 2026 · conferida em 1 de outubro de 2026

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