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Estudo · Observatório IA nas Eleições

Monitoramento encontra baixa rotulagem em 413 usos políticos de IA

O estudo cobre a pré-eleição e não o universo inteiro das redes; classificação técnica não equivale, sozinha, a infração eleitoral.

Pesquisadores examinam um mural de imagens, áudios e vídeos políticos em uma praça cívica brasileira, enquanto um livro de regras permanece separado das evidências.
Ilustração conceitual do monitoramento. O relatório técnico reúne evidências e classificações; não é uma decisão judicial e não torna automaticamente ilegal cada item observado.

O Observatório IA nas Eleições catalogou 413 publicações com uso político de IA entre 1º de janeiro e 15 de agosto de 2026. Segundo o relatório, 260 não traziam sinalização sobre a tecnologia, 336 manipulavam imagem ou voz de pessoas públicas e 163 foram classificados como desinformação. Os dados descrevem o repositório monitorado, não toda a circulação política no país.

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O que aconteceu

Em 14 de setembro, o Observatório IA nas Eleições publicou um estudo técnico sobre usos políticos de IA generativa monitorados de 1º de janeiro a 15 de agosto de 2026, ainda no período de pré-eleição. O projeto é realizado por Aláfia Lab e Data Privacy Brasil.

O relatório reuniu 413 casos. Entre eles, 260, ou 63%, não sinalizavam o uso de IA; 336, ou 81%, manipulavam imagem ou áudio de pessoas públicas; 163, ou 40%, foram classificados pelos autores como desinformação; e seis foram associados a golpes.

O que mudou

O estudo oferece uma fotografia documentada antes do período oficial de campanha e separa autores, alvos, formatos e formas de sinalização. Também registra 145 peças publicadas por políticos ou partidos e testes em que chatbots ranquearam ou recomendaram candidaturas.

Nada disso transforma o relatório em investigação oficial, sentença ou sanção. A Resolução TSE nº 23.755, publicada em março, alterou as regras de propaganda para 2026; a aplicação jurídica depende do conteúdo, do momento, da autoria, da divulgação e de outras circunstâncias de cada caso.

Por que importa

Sem uma indicação clara, eleitores têm menos elementos para distinguir registro, sátira, montagem e conteúdo sintético apresentado como fato. A rotulagem não resolve veracidade, mas cria uma informação básica para interpretação e responsabilização.

A Folha confirmou o conjunto de 413 casos e a concentração de manipulações envolvendo pessoas públicas. A cobertura independente reforça a relevância do levantamento, sem eliminar seus limites metodológicos.

Para quem importa

Campanhas, partidos, agências, criadores, veículos, plataformas, pesquisadores, equipes jurídicas e de integridade eleitoral. Empresas que geram voz, imagem ou vídeo também precisam oferecer marcação, proveniência e canais de denúncia compatíveis com o risco do contexto político.

Para organizações fora da política, a pauta ainda importa como padrão de governança: conteúdo sintético que representa uma pessoa real exige revisão reforçada, documentação de consentimento e avaliação do dano possível.

Impacto prático

Uma operação editorial deve registrar arquivo original, ferramenta, pessoa responsável, fontes usadas, transformações realizadas, data, finalidade e versão publicada. Quando houver pessoa identificável, é preciso avaliar consentimento, direito de imagem, contexto e risco de engano.

A sinalização deve estar na própria peça e em metadados quando possível, sem depender apenas da legenda. Também é necessário preservar evidências de remoção, correção e resposta a denúncias.

O que testar

Faça uma auditoria de amostra no acervo já publicado: existe identificação de IA visível em recortes, republicações e diferentes telas? A equipe consegue recuperar o original, a instrução, a autorização e quem aprovou cada peça?

Simule a chegada de um conteúdo duvidoso. Meça tempo para verificar origem, consultar a regra aplicável, escalar ao jurídico, interromper distribuição e publicar correção sem apagar a trilha de auditoria.

O que observar

Atualizações do TSE e decisões que esclareçam como as regras de 2026 serão aplicadas a casos concretos, além de mudanças nas políticas das plataformas sobre identificação, alcance e arquivo de mídia sintética.

Novas rodadas do Observatório também podem mostrar se a sinalização melhora durante a campanha oficial. Comparações só serão válidas se método, cobertura de plataformas e critérios permanecerem claros.

O que ainda não sabemos

O repositório monitorado não representa todas as publicações políticas nem permite calcular prevalência geral nas redes. Os percentuais valem para os casos encontrados e classificados pelo projeto no período indicado.

O termo deepfake aparece como categoria técnica do relatório. Sua presença não comprova automaticamente uma proibição, assim como uma etiqueta de IA não torna verdadeiro ou permitido o conteúdo. A avaliação jurídica é individual.

Fontes

  1. IA na pré-eleição 2026Observatório IA nas Eleições · Paper · publicada em 14 de setembro de 2026 · conferida em 28 de setembro de 2026
  2. Relatórios do ObservatórioObservatório IA nas Eleições · Fonte oficial · publicada em 14 de setembro de 2026 · conferida em 28 de setembro de 2026
  3. Lula foi alvo de 1 em cada 4 conteúdos com IA publicados na pré-campanha, diz levantamentoFolha de S.Paulo · Imprensa geral · publicada em 18 de setembro de 2026 · conferida em 28 de setembro de 2026
  4. Flávio e PL lideram uso de conteúdos feitos por IA, diz observatórioAgência Brasil · Imprensa geral · publicada em 14 de setembro de 2026 · conferida em 28 de setembro de 2026
  5. Resolução nº 23.755, de 2 de março de 2026Tribunal Superior Eleitoral · Órgão regulador · publicada em 2 de março de 2026 · conferida em 28 de setembro de 2026

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